"Neste ano, crê somente e verá as Maravilhas de Deus em sua vida e de sua familia.

Terça-feira, Julho 05, 2011

Confira realidade dentro de penitenciária feminina

Detentas da penitenciária Estevão Pinto, em Belo Horizonte, contam como lidam com a quase inexistência de visitas íntimas no sistema prisional feminino

Thaís Pacheco - Ragga
Exceto a razão de nossa presença, uma reportagem, no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto funciona assim: visita social – aquela que a família pode entrar e visitar as presas em uma área comum do pátio – tem dia e hora. Sábado e domingo, das 8h às 17h. Para fazê-la é necessário um cadastro prévio e a apresentação de documentos comprovando parentesco. Presentes podem ser entregues na visita social ou durante a semana, mas há uma série de normas. Por exemplo: mexerica só entra depois de descascada e condicionador de cabelo tem que estar em um recipiente transparente.

A visita íntima é bem diferente. Tanto pelo processo burocrático, quanto pelos dados assustadores que podem remeter diretamente à ideia de abandono. Na Estevão Pinto há lugar para 343 detentas. Hoje, 317 mulheres estão lá. Destas, três recebem visitas íntimas. “As filas na penitenciária masculina começam quarta-feira para esperar o dia da visita íntima, que é sábado”, conta Natália Nascimento Rodrigues, diretora geral da Estevão Pinto. “É difícil falar por que acontece na masculina e não na feminina. O que faz uma pessoa se afastar da outra? Podem ser N questões e uma delas é o aprisionamento. O homem que quiser vir precisa passar por uma revista que é vexatória mesmo, por ordem de segurança. É preciso amar muito.” O que ela quis dizer com vexatória foi a exigência de que, antes da visita, o homem fique completamente nu diante de um agente de segurança, que vai verificar se ele não está levando nada proibido... você sabe onde.

Mas não é só isso. O processo de autorização é lento. É preciso fazer o cadastro, comprovar o vínculo e fazer exames “que comprovem que o visitante tem uma boa saúde”, conta Natália, ao explicar a razão. “Qualquer problema de saúde com esse visitante é um problema que afeta ao cidadão.” Quem provou dessa morosidade foi Aparecida dos Santos, de 44 anos, presa por tráfico de drogas desde julho de 2007. Nas cadeias pelas quais passou, não existia a possibilidade de visita íntima. Assim que chegou à Estevão Pinto, em outubro de 2008, seu namorado começou a agilizar a documentação para conseguir o direito. A primeira visita só rolou em junho de 2009. O encontro é liberado toda quinta-feira e o homem pode ficar por lá das 18h às 6h.

Mas e as outras 314 detentas? Como se viram sem sexo e afeto? Homossexualidade é comum dentro das penitenciárias femininas, apesar de proibida. “A questão não é namorar. Existem normas de segurança. Dentro de uma unidade prisional isso não pode acontecer. Mas, como não há condições de vigiar uma pessoa 24 horas por dia, acaba acontecendo”, relata Natália, que sempre trabalhou na área de saúde e, agora, dirige a penitenciária com todas essas mulheres e garante que a homossexualidade tem relação com a situação em que elas se encontram. “Mulher é muito mais sensível que homem. Quando entram aqui são abandonadas por eles, mas dificilmente você vê uma delas abandonando o filho, filha ou marido. Aqui estão abandonadas e numa situação em que todos são iguais. É humanamente impossível evitar esse tipo de relação”, define, antes de indicar a razão da proibição: “Não é uma questão de não ter direito à afetividade e à sexualidade. São regras de disciplina. Você está vivendo dentro de um alojamento com mais 20.
Nem todo mundo precisa aceitar isso.” E conclui: “A gente mostra para elas que isso é uma questão temporária. Muitas se envolvem com mulheres aqui dentro, mas são casadas ou têm namorado lá fora.”
Só que esses namoricos na penitenciária feminina chegam a virar problema de segurança lá dentro. “Isso atrapalha. Tem muito ciúme. Às vezes, uma namora a outra e fica com uma terceira. Isso gera briga no alojamento,” conta Luciana de Oliveira, diretora de segurança da penitenciária.

E é tudo verdade. A doméstica Wilma de Oliveira, 41, presa há dois anos e seis meses por furto, diz que nunca tinha se envolvido com mulheres antes de ser presa e, quando sair, pretende ficar solteira, sem homem, nem mulher. Até lá, vai evitar as relações homossexuais: “Não quero mais mexer com isso. Primeiro porque Deus não perdoa esses trem. E também porque dá muita briga. Elas ficam com ciúme, uma mete a caneta no braço da outra. Aí vem uma e dá tapa na cara. Já teve duas que brigaram por minha causa. Não vou mexer com isso mais não, para evitar confusão e nome sujo no atestado depois, né?”
Deve ser. Mas aquele mundo reserva mais que visitas íntimas e homossexualidade. Existe, ali, uma indiferença quanto à falta de sexo, uma ocupação maior e, principalmente, uma relação traumática com os homens. Das sete mulheres que conversamos, três afirmaram estar lá porque fizeram alguma cagada por amor, como ajudar o namorado no tráfico. E uma - que está sendo julgada por homicídio - foi presa, grávida, junto ao namorado, investigado pelo mesmo crime.

PARTE 2


Poliana Cristina Lousada, 21, presa em 2008 por investigação de homicídio. Grávida de nove meses. Foi presa aos três meses de gravidez.. O namorado, pai do filho, não pode visitá-la, pois está preso sob a mesma acusação.

Como é a vida de estar grávida e presa?

Não deixo de estar presa, né? Mas entre aqui e a cadeia que estava antes é outra coisa... Aqui são quartos, lá é cela e você até dorme no chão.

A penitenciária tem cuidado especial com sua alimentação?

Com todas as grávidas. Aqui tem médico o dia inteiro, já cheguei a passar mal e eles me levaram num hospital mesmo.

Vera Lúcia Ferreira da Silva, 31, presa em 1993 por homicídio. Ganhou regime semi-aberto e fugiu. Ficou foragida oito anos, casou e teve um filho. Foi recapturada e, desde 2004, recebe a visita do marido, que nunca se envolveu com crimes e casou sabendo que ela era foragida. Nunca, nos últimos três anos, ele faltou a uma visita íntima sequer.

Você acha que é privilegiada?

Demais. Só de ele passar ali pelo procedimento de tirar roupa, aguardar e, às vezes, não conseguir entrar no horário certo. Ainda assim ele espera, entra, e sai só às 6h.

Joyce Bispo de Carvalho, 23, presa em 2007 por tráfico de drogas. É homossexual assumida. Na Estevão Pinto, gostava de uma menina, mas a moça foi liberada. A ex-detenta liga para Joyce, mas não vai visitar.

Quando sair você vai atrás dela?

Essa é a última coisa que pretendo fazer. Mulher é a última coisa. Antes tenho que voltar para minha vida, construir uma coisa nova, trabalhar.

Regina Cássia, 31, presa em 2007 por tráfico de drogas. Quando foi presa, namorava o pai de sua filha. Segundo Regina, era ele quem vendia a droga, motivo pelo qual foi detida. Ela é uma das quatro detentas que tem direito a fazer faculdade, ainda que vá e volta sob escolta.

Na faculdade não tem uns gatinhos?

Tem vários rapazes bonitos, mas é tanta coisa: trabalho, exercício, tantas coisas novas na faculdade... Fora que a gente tem que cumprir um regime. E sair de presidiária para virar universitária é um salto, né? Não quero perder isso por coisa boba e namorinhos que não vão garantir meu futuro.

Caroline, 21, presa em 2007 por tráfico de drogas. Garante que foi presa por culpa do namorado, com quem não tem mais contato, mas sabe que foi preso.

O que fazia antes de ser presa?

Trabalhava como secretária em um escritório de advocacia e estudava no colegial. Tinha uma vida normal, comum, fazia auto-escola...

Você tinha grana? Morava em qual bairro?

Na minha família todo mundo trabalha e é bem estruturado financeiramente. Lourdes, na Fernandes Tourinho.

Por que se envolveu com o tráfico de drogas?

Por causa de amor. Não tinha nenhum benefício em questão de dinheiro. Ele resolvia tudo. Eu tinha minhas coisas e ele tinha as dele. Só que teve uma ligação telefônica grampeada e acabei me envolvendo.

Queria entender a relação das detentas com a abstinência sexual, mas todas dizem que é tranquilo e, quando saírem, sexo não será prioridade.

Verdade. Sexo é o de menos. Aqui dentro a gente aprende a suprir as necessidades de outras formas. A gente lê, fica mais perto de Deus, porque precisa disso psicologicamente. Uma coisa substitui a outra. É tranquilo demais em relação a sexo e namoro. Tem tanta coisa para pensar, saudade de casa, problema para resolver, é uma ansiedade fora do comum...

PARTE 3

E elas têm mesmo outras coisas para se ocupar. Se liga na rotina:

6h – Acordar, se arrumar, fazer a cama e ficar pronta para o café. O silencio é obrigatório até às 7h

7h – Café da manhã

8h – Trabalhar. Trabalhos autônomos, como artesanato; internos, como capinagem e limpeza do pátio; e externos, como a confecção dos uniformes da Fhemig (Federação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), que paga pela produção.

11h – Almoço e descanso

12h30 – Mais trabalho

16h – Fim do trabalho e hora de ir para a escola, que fica dentro da penitenciária

22h – Silêncio total. Todas precisam ir dormir

A cada três dias trabalhados, a detenta tem a redução de um dia na pena. Porém, quem não estuda não tem direito de trabalhar. Logo, a maioria opta por aprender uma profissão e conseguir um diploma. Pelo menos na Estevão Pinto, o diabo não vai achar cabeça vazia para montar sua oficina. E a falta de sexo não vai virar problema.

Fonte:http://www.new.divirta-se.uai.com.br

0 comentários:

Postar um comentário

Sua participação é importante para valorizar nossa classe por este motivo mande seu comentario construtivo não como anônimo, para outros colegas também queiram copiar seu exemplo.

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

LEI DO PORTE DE ARMA PARA AGENTE

Vamos participar desta campanha para que nossa categoria tenha o porte de arma estabelecido em lei, não perca tempo.

Clik na imagem para participar

Os Agentes precisam dê seu voto

Os Agentes precisam dê seu voto
Participe da Petição Pública, clik na imagem acima.