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sexta-feira, setembro 03, 2010

Olimpíadas reeducam menores infratores




Jogos organizados pela Fundação Casa, a antiga Febem, mobilizam cerca de 2 mil internos infratores que hoje apresentam bom comportamento.

As Olimpíadas mudam uma cidade, mudam um país. A afirmação é comum e segue entoada como um mantra. É indubitável que o legado dos Jogos pode mesmo modificar a situação de sua sede, como ocorreu com Barcelona, em 1992. Mas, em São Paulo, uma competição bem mais modesta traz na sua concepção um comparável poder de transformação: as Olimpíadas Esportivas e Culturais da Fundação Casa, que estão em sua quarta edição.
Com quatro dias de duração, a disputa, que começou na última terça-feira, no Ibirapuera, envolve cerca de 2 mil jovens infratores que se destacaram em competições internas da Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente, a Fundação Casa, antiga Febem, a Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor.

Na atual edição, as provas de atletismo não estão sendo realizadas em razão de obras que ocorrem na pista do estádio, mas as disputas de futebol, futsal, handebol, vôlei, basquete, dama, xadrez e tênis de mesa contagiam os internos e mostram a eles rumos diferentes para a vida. E, para garantir a diversão e a integração com outros jovens nas Olimpíadas, além da disciplina para se adequar às regras de cada modalidade e ao convívio com os companheiros, todos os participantes dos Jogos precisam apresentar bom comportamento para que possam fazer parte da delegação de sua unidade. E mais: em caso de rebelião, a unidade fica vetada de participar das Olimpíadas.
- Eles passam o ano todo falando nas Olimpíadas e ficam preocupados para que não ocorra nada de errado porque querem estar aqui. Para eles, é uma festa - explica o professor de educação física Flávio Guerra, que dá aula aos internos da unidade de Campinas, mas também é árbitro e apita regularmente jogos das Séries A, B, C e D.

Entre uma partida e outra, o GLOBOESPORTE.COM conversou com internos e funcionários da Casa e descobriu realidades distintas, com casos de superação e sonhos relacionados ao esporte. Apesar da triste realidade que os adolescentes estão vivenciando, ficou nítido: o jovem que um dia escolheu o caminho errado tem chance de corrigir a rota de sua vida na prática do esporte e de seus reflexos sociais.
Em cerca de 20 minutos, Marcos, nome fictício aqui adotado, de 17 anos, contou calmamente a sua história após ser substituído com a vitória parcial de seu time de futebol, o da Vila Maria, sobre o dos internos de Arujá. Bom de conversa e com um português correto, o jovem comentou sobre a vida na Fundação.

- Lá tem de tudo para fazermos. Jogo futebol, basquete, pingue-pongue, faço três refeições e até kit de dormir (pijama e chinelo) recebemos diariamente. Divido meu quarto com cinco amigos e tenho a minha própria cama. A vida lá é boa mesmo. Não tenho do que reclamar porque continuo estudando e já vou me formar no segundo grau. Sem contar os cursos profissionalizantes que faço. Para falar a verdade, só volta para o crime quem quiser - comentou o interno, que não garantiu o destino que seguirá.

- Eu sou de Taipas (bairro periférico da Zona Norte de São Paulo), ali na saída do Rodoanel. Fizemos um assalto a um caminhão de carga e me jogaram para a unidade da (Rodovia) Raposo (Tavares). Aquilo era um inferno. Depois, saí pior ainda e, em nove dias, já estava preso de novo. Participei de um sequestro. Como eu sei dirigir, fiquei de piloto. Eu vacilei porque fui “pagar de gatinho”, dar uma volta pelo bairro e a polícia me pegou. Apanhei muito naquele dia, mas não falei onde era o cativeiro. Ainda bem que minha mãe apareceu, acho que me matariam. Quando eu sair, não sei o que vou fazer porque vai estar tudo igual por lá, vou reencontrar os meus amigos. O que mais me preocupa é o sofrimento da minha família. O meu também, mas a vida de interno não é ruim, pelo menos na Casa. O pior é ver meus familiares mal por minha causa - pensou o jovem.

Entre as várias opções oferecidas para o futuro dos jovens, o futebol aparece como alternativa das mais atraentes, o que é tradicional no país do futebol. Entrar para a Casa não significa o fim do sonho. Goleiro da Vila Maria, Bernardo (os nomes dos internos são sempre fictícios), de 17 anos, morador de rua desde a infância e com mais de sete passagens por pequenos furtos, tem teste agendado em um tradicional clube do futsal paulista. Já o meia campineiro Márcio, de 16 anos, preso por tráfico de drogas, está com as portas abertas para iniciar na Ponte Preta assim que conquistar a liberdade.

Apesar da necessidade de encarar a vida de frente, do amadurecimento precoce e da preocupação com o futuro incerto, os adolescentes também aproveitam para brincar, ainda mais quando desfrutam da rara oportunidade de interagir com pessoas diferentes, como ocorre nas Olimpíadas. Além de escolher um time para torcer enquanto acompanham as partidas e de flertar com as internas, mesmo sem poder fazer contato direto, os garotos não perdem uma oportunidade. Até mesmo a árbitra, “carrasca” em alguns momentos, entra na brincadeira.

- Eles chegam e falam: com todo o respeito, juíza, mas a senhora é bem gatinha, hein! É normal. Eles ficam lá, sem ver mulher, é até engraçado - diverte-se Gabriela Souza, 35 anos, que não vê diferença no comportamento dos internos da Casa em relação ao visto nas outras competições que apita.

Com funcionários, agentes, imprensa, colaboradores e jovens interagindo, as Olimpíadas da Casa fincam seu legado na raiz de um problema de difícil solução e usam o poder de socialização que o esporte possui para mostrar aos jovens que a sociedade está aí, de braços abertos para recebê-los. E, quem sabe, o esporte não dá a eles a chance de serem recebidos desta maneira na Cidade do Rio de Janeiro, em 2016? Quem sabe...
Foto 1 - O camisa 10 do Vila Maria marcou o primeiro gol do time na partida contra a equipe de Arujá.
Foto 2 - O goleiro já tem teste agendado no futsal .
Foto 3 - Internos de Minas Gerais comemoram vitória sobre o Paraná por 3 a 0 .
Fonte:globoesporte.globo.com Data: 05/11/09

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