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segunda-feira, junho 20, 2011

Diretor de presídio dividia lucro de criação de porcos com preso

13/06/2011 -
A Gazeta

Claudia Feliz
cfeliz@redegazeta.com.br
Um comércio de porcos dentro de um presídio, onde o resultado financeiro do negócio é dividido entre o diretor da unidade com detentos, foi denunciado, ontem, pelo Sindicato dos Agentes de Presídio do Estado. O cenário dessa situação é a Casa de Custódia de Vila Velha (Cascuvv).

Um preso foi quem confirmou a existência do comércio, que envolvia não só porcos - alguns abatidos no local -, mas também venda de lavagem (restos de comida do presídio) e de alumínio das marmitas dos detentos.

O homem, preso por homicídio, relata (veja trechos no quadro ao lado) que dividia o faturamento com o diretor da Cascuvv, Valdelir do Nascimento. Só com a venda da lavagem, o rendimento mensal era de R$ 680. Já o alumínio era vendido por R$ 0,50 o quilo.

Nascimento, que responderia a processo por totura de presos, deixou a direção da Cascuvv no final de 2010, sendo substituído por Emílio Hortleb. Mas retornou ao mesmo posto neste ano.

O detento que denunciou o esquema também foi removido da Cascuvv para o Complexo de Viana, após desentender-se com outro preso. Ele queixou-se de uma dívida, saldada por Hortleb após autorização assinada por Nascimento, em fevereiro deste ano. Nela, Nascimento pedia a gentileza de Hortleb autorizar a mulher do preso a "retirar a leitoa e seus filhotes", que se encontravam na Cascuvv.

Procurado por telefone, ontem, Nascimento não foi encontrado, mas Hortleb confirmou que fez a entrega dos animais à mulher, na presença do promotor Cesar Ramaldes. "Não tinha documento de compra e venda, e quando assumi, os animais estavam lá", diz ele.

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) admite ter tomado conhecimento da criação de porcos e da entrega de uma porca e dois leitões à mulher de um ex-interno da unidade. Garante ter aberto investigação para apurar a informação de que parte do produto da venda dos animais estaria sendo entregue ao diretor da unidade.
O órgão diz que o promotor "orientou e advertiu à direção da unidade a não manter qualquer espaço que possa ser caracterizado como pocilga, no que foi prontamente atendido".

Mas os dirigentes do sindicato dos agentes, Paulo Cesar Buzetti e Fabrício Moreira, garantem que até ontem havia porcos na Cascuvv, retirados por um carro particular. Eles criticam o desperdício de alimentos, a "omissão da Secretaria de Justiça", a falta de fiscalização do presídio pela promotoria e a postura dos diretores da unidade, que também são agentes.
Outro lado: Secretário de Justiça não fala sobre caso

O secretário de Estado da Justiça, Ângelo Roncalli, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só se pronunciará após ser informado oficialmente de todos os detalhes que compõem a acusação feita pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Espírito Santo.

Versão do dentento

Ex-interno da Cascuvv, hoje no Complexo de Viana, contou a dirigentes do Sindicato dos Agentes de Presídio como funcionava o comércio de porcos e lavagem sob o comando da direção da unidade. O diálogo é reproduzido abaixo, sem correção ortográfica.

Sindicato - E o dinheiro da lavagem?
Detento - Era dividido no meio com o Nascimento. Todo mês, R$ 500, R$ 600. A minha metade era dividida com (o homem cita o nome de uma outra pessoa)

E os alumínios?
Está tudo lá ainda...

Ele vendia também?
Vendia. Os alumínios eu só tinha 50%. Dava mais trabalho e só dava discussão.

A lavagem também dava R$ 300, R$ 600?
R$ 500, R$ 600, R$ 680...

Dividiam vocês dois?
(O preso concorda)

A lavagem é resto das marmitas, né?
É. Batia comida que saía da cadeia. Dava quatro tambores. Um dia sim, um dia, não. Aí, no final do mês, dava 56, 58, 62 tambores. Aí, a 10 contos, dava R$ 600, R$ 630. Rachava comigo de noite. Via chegando, entregando o pacote todo dia de noite. E entregava pro Nascimento. Ficava lá uma semana, duas, e mandava lá na central. Agora mesmo fiquei sem 48 tambores. Não acertava nada comigo. Mais 1.200 quilos de alumínio que tá lá. 17 sacos cheios.

Tá quanto o quilo?
O último deu R$ 0,50.
Foto:Os porcos eram criados na área do presídio; próximo ao local, também ficava guardado o alumínio, vendido por R$ 0,50 o quilo/Foto de divulgação
Fonte:http://gazetaonline.globo.com/

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